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ENCHENTES: CONFIRA A SITUAÇÃO DE CADA MUNICÍPIO ATINGIDO ATÉ O MOMENTO

Chuvas intensas elevaram o Rio Ribeira de Iguape e provocaram alagamentos, deslizamentos, interdições e retirada de moradores em diferentes cidades da região.

Redação
Por: Redação
14/09/2026 às 20h39
ENCHENTES: CONFIRA A SITUAÇÃO DE CADA MUNICÍPIO ATINGIDO ATÉ O MOMENTO

Atualização em 14 de setembro de 2026, às 20h35

O Vale do Ribeira enfrenta, desde o fim da semana, os efeitos de um período de chuvas intensas que provocou a elevação dos rios, alagamentos, deslizamentos, interdições de rodovias e retirada de famílias em diferentes municípios. A situação tem como principal ponto de atenção a bacia do Rio Ribeira de Iguape, que chegou a níveis críticos em diversos pontos. O Governo de São Paulo mantém o monitoramento por meio de um Gabinete de Crise e reforçou as ações de resgate, acolhimento e assistência humanitária.

Na bacia hidrográfica do Ribeira de Iguape, a SP Águas registrou 160 milímetros de chuva nas últimas 72 horas. Das 29 estações monitoradas, seis estavam em situação de extravasamento, oito em alerta e três em atenção na atualização estadual desta segunda-feira (14). Entre os pontos com extravasamento estavam Ribeira, Iporanga, Sete Barras, Registro e Pariquera-Açu. Em Eldorado, o nível do Rio Ribeira permanecia elevado, em torno de 11,1 metros.

O cenário também foi marcado por elevados volumes de chuva em outras cidades. Iguape registrou 158 milímetros em 72 horas, o maior acumulado entre os municípios paulistas destacados no levantamento; Itaóca teve 145 mm, Apiaí 122 mm, Barra do Chapéu 107 mm e Registro 106 mm. Dez das 22 cidades do Vale do Ribeira paulista apareceram entre as localidades com maiores volumes de precipitação no período.

ELDORADO

Eldorado é o município que concentra, até o momento, o impacto mais expressivo da cheia. O Rio Ribeira de Iguape subiu aproximadamente 8,5 metros em quatro dias, passando de 2,6 metros na quinta-feira (10) para 11,1 metros no domingo (13). Ruas, imóveis, estabelecimentos comerciais e áreas públicas foram atingidos pela água.

A Defesa Civil retirou preventivamente 54 famílias, totalizando 173 pessoas, da área urbana. Na atualização estadual desta segunda-feira, o município contabilizava 58 famílias desabrigadas e havia decretado situação de emergência. A água chegou ao nível do único hospital da cidade, e parte do atendimento médico foi transferida para uma unidade básica de saúde localizada em uma área mais alta.

Uma equipe técnica da Defesa Civil estadual foi deslocada para Eldorado, com apoio de balsas infláveis para auxiliar no deslocamento de moradores de áreas isoladas. Também foram enviados colchões, cestas básicas, kits de higiene e limpeza e outros materiais de assistência.

RIBEIRA

Ribeira também teve áreas atingidas pelo aumento do nível do Rio Ribeira de Iguape. Durante o fim de semana, moradores precisaram deixar suas casas e famílias foram encaminhadas para abrigos. A cidade também enfrentou problemas de acesso provocados pelas condições das rodovias e pelo avanço das águas. O município aparece entre os pontos da bacia em situação de extravasamento no monitoramento da SP Águas.

IPORANGA

Iporanga registrou alagamentos na região central e no bairro Encontro das Águas. Segundo o Governo do Estado, 60 pessoas ficaram desalojadas, sendo acolhidas por familiares, enquanto pelo menos 12 pessoas ficaram desabrigadas e foram encaminhadas para o Abrigo Maria Terezinha. O município decretou situação de emergência.

O município também está entre os pontos da bacia classificados em extravasamento, em razão da elevação do Ribeira e de seus afluentes.

REGISTRO

Registro teve alagamentos e quedas de barreiras. O balanço divulgado pelo Estado aponta oito famílias desabrigadas e dez desalojadas. As famílias desabrigadas foram acolhidas no Ginásio Mário Covas. O município também aparece entre os pontos críticos da bacia hidrográfica, com a estação local classificada em condição de emergência no monitoramento citado pela imprensa com base nos dados da SP Águas.

A cidade também se tornou um ponto de apoio à solidariedade regional. Uma campanha de arrecadação para as famílias de Eldorado passou a receber doações em Registro, incluindo água potável, alimentos, produtos de higiene e limpeza, roupas, cobertores, roupas de cama e fraldas.

SETE BARRAS

Em Sete Barras, o transbordamento do Rio Ribeira de Iguape atingiu vias públicas, propriedades rurais e aproximadamente 50 moradias. A cidade também registrou interdições em rodovias estaduais em razão das condições provocadas pelas chuvas.

A SP Águas mantém a estação do município entre os pontos em extravasamento.

PARIQUERA-AÇU

Pariquera-Açu aparece no monitoramento da SP Águas entre os pontos da bacia do Ribeira em condição de extravasamento. O dado indica uma situação hidrológica de atenção no município, dentro de um cenário regional marcado pela elevação dos rios.

Até a atualização estadual consultada, não havia registro de impacto residencial em Pariquera-Açu comparável ao observado em Eldorado. Durante o fim de semana, porém, o município também registrou ocorrência provocada pelo mau tempo, com a queda de estruturas de tendas no Centro de Eventos Imigrantes, levando ao isolamento do local e ao cancelamento de atividades.

BARRA DO TURVO

Barra do Turvo está entre os municípios que decretaram situação de emergência nesta segunda-feira (14). A cidade é banhada pelo Rio Pardo, afluente do Ribeira de Iguape, e foi impactada pela elevação dos níveis dos rios na região.

IGUAPE

Iguape apresentou o maior acumulado de chuva entre os municípios paulistas destacados no levantamento das últimas 72 horas, com 158 milímetros. O volume contribuiu para manter elevado o nível de atenção em toda a bacia hidrográfica do Ribeira de Iguape.

ITAÓCA E APIAÍ

Itaóca registrou 145 milímetros de chuva em 72 horas, enquanto Apiaí acumulou 122 milímetros, colocando os dois municípios entre os maiores volumes registrados no período. Barra do Chapéu também ficou entre as cidades com maior precipitação, com 107 milímetros.

Os elevados acumulados contribuem para a saturação do solo e aumentam o risco de novos alagamentos, deslizamentos e elevação dos rios.

JACUPIRANGA

Jacupiranga também esteve sob influência das fortes chuvas que atingiram a região, com registros de ocorrências relacionadas ao mau tempo e ao comportamento das encostas. O município integra a área regional de monitoramento e também foi afetado pelo cenário de chuvas persistentes.

OUTROS MUNICÍPIOS

Os impactos não ficaram restritos aos municípios diretamente banhados pelo Rio Ribeira. O episódio também atingiu outras cidades do Vale do Ribeira e regiões próximas, com ocorrências de alagamentos, deslizamentos, quedas de árvores, destelhamentos e interrupções de acesso.

No conjunto do Estado, a Defesa Civil registrava 30 trechos de rodovias estaduais com interdições totais ou parciais nesta segunda-feira. Entre eles estavam trechos da SP-165 em Eldorado e Sete Barras.

CHUVAS E VAZÃO DA REPRESA

A situação da bacia também está relacionada ao comportamento dos rios no Paraná. A Copel informou que começou a abrir as comportas da represa do Capivari em 2 de setembro, aumentando gradativamente o vertimento devido à elevação dos níveis dos rios e reservatórios provocada pelas chuvas. No sábado (12), a companhia comunicou a interdição preventiva de uma ponte sobre o Rio Capivari diante do aumento da vazão.

Segundo a Defesa Civil, a vazão foi reduzida nesta segunda-feira, com previsão de novas reduções ao longo do dia. A expectativa é de diminuição dos níveis de água nos próximos dias, embora ainda exista possibilidade de chuva.

MOBILIZAÇÃO E AJUDA

Além das ações do Governo do Estado, a resposta ao episódio vem envolvendo municípios, equipes de Defesa Civil, órgãos de emergência e iniciativas da sociedade civil.

O Governo de São Paulo montou 19 abrigos em seis municípios, utilizando ginásios, escolas, centro de eventos, centro de convivência, hotel e igrejas para receber famílias afetadas. Mais de 2,6 mil itens de ajuda humanitária foram destinados a cidades paulistas, incluindo colchões, cestas básicas e materiais de higiene.

A mobilização também ultrapassa os limites dos municípios atingidos. Em Registro, por exemplo, uma campanha passou a arrecadar itens essenciais destinados às famílias de Eldorado. Outras iniciativas de solidariedade vêm sendo articuladas na região e fora dela, mostrando uma rede de apoio formada para atender moradores que perderam bens ou precisaram deixar suas casas.

SITUAÇÃO SEGUE EM MONITORAMENTO

Apesar da tendência de redução das chuvas mais intensas, o Vale do Ribeira ainda exige atenção. Na manhã desta segunda-feira, o Estado mantinha previsão de até 100 milímetros de chuva no Vale do Ribeira, Registro e região de Itapeva, enquanto o solo permanece encharcado e os níveis dos rios continuam elevados.

O episódio ocorre em um mês excepcionalmente chuvoso em São Paulo. Até a manhã desta segunda-feira, o Estado já havia acumulado 253,8 milímetros de chuva em setembro, volume que colocou o mês como o setembro mais chuvoso da série histórica iniciada em 1943.

Neste momento, a orientação das autoridades é que moradores de áreas próximas a rios, encostas e regiões sujeitas a alagamentos permaneçam atentos aos comunicados oficiais e evitem áreas de risco. A situação no Vale do Ribeira continua sendo atualizada conforme os níveis dos rios, as condições das estradas e o avanço das ações de assistência às famílias atingidas.

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