
O litoral sul paulista pode ganhar uma nova ilha — mas o motivo é alarmante. Um processo acelerado de erosão costeira na Ilha do Cardoso, em Cananéia, ameaça romper a estreita faixa de terra do Estreito do Melão, que separa o oceano do estuário do Canal de Ararapira. O local, que tinha cerca de 100 metros de largura em 2024, agora conta com apenas 20 metros, elevando o risco de rompimento.
Caso a faixa ceda, parte da Ilha do Cardoso se tornará uma nova ilha, provocando assoreamento e alterando drasticamente o ecossistema. A situação coloca em risco um dos ambientes naturais mais preservados do estado, além de afetar diretamente cerca de 120 famílias caiçaras.
Moradores de comunidades como Restinga e Nova Enseada já começaram a se deslocar de áreas vulneráveis, relatando que ressacas antes raras agora são frequentes. A Fundação Florestal declarou a área como zona de risco e restringiu o tráfego de embarcações.
O governo estadual atribui a erosão às mudanças climáticas, com elevação do nível do mar e mudanças em ventos e correntes. Intervenções humanas antigas, como o Canal do Varadouro e o Valo Grande, também agravaram a situação ao alterar o equilíbrio natural da região.
O Ministério Público abriu inquérito e cobra um plano emergencial para proteger as comunidades e mitigar os danos. A área segue sendo monitorada por órgãos ambientais e universidades.