
As Prefeituras de Cananéia e Guaraqueçaba realizam, na próxima sexta-feira (8), uma Audiência Pública para debater a proposta de requalificação da histórica Trilha do Telégrafo, importante ligação entre comunidades tradicionais e originárias na divisa entre São Paulo e Paraná.
O encontro ocorrerá simultaneamente no Centro Comunitário do bairro Santa Maria, em Cananéia, e na comunidade do Batuva, em Guaraqueçaba, a partir das 9h.
A audiência pretende apresentar o projeto à população e abrir espaço para sugestões e contribuições das comunidades locais, diretamente impactadas pela situação atual do trajeto.
Atualmente, moradores das regiões enfrentam dificuldades de deslocamento devido às condições precárias do antigo caminho, que possui trechos degradados, erosões e áreas praticamente intransitáveis.
Apesar da curta distância entre as comunidades — menos de sete quilômetros — a falta de acesso adequado dificulta serviços essenciais como saúde, educação e trabalho, além de contribuir para o isolamento de famílias historicamente conectadas.
Segundo os organizadores, a proposta não prevê abertura de uma nova estrada, mas sim a recuperação e organização do traçado já existente, com medidas de controle de acesso, recuperação ambiental e manejo sustentável da área.
Além da melhoria na mobilidade, o projeto também busca fortalecer o turismo rural e de base comunitária, transformando o percurso em uma rota estruturada de visitação, valorizando a cultura e os saberes das comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas.
A Trilha do Telégrafo possui relevância histórica nacional, tendo sido utilizada por povos originários antes mesmo da formação do Brasil e posteriormente incorporada à rede de comunicação do período imperial.
Atualmente, o trajeto está inserido em área reconhecida pelo Plano de Manejo do Parque Estadual Lagamar de Cananéia como patrimônio histórico-cultural.
Especialistas apontam que a recuperação do trecho representa não apenas uma ação de desenvolvimento regional, mas também o cumprimento do dever de preservação de um bem histórico e ambiental protegido.
A participação da população é considerada fundamental para a construção coletiva da proposta.