
A produção brasileira de grãos pode chegar a 366,6 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 1,4% sobre o ciclo anterior, segundo o documento "Perspectivas para a Agropecuária 2026/2027", divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A projeção, porém, vem acompanhada de um sinal de atenção. Embora a área plantada deva aumentar para 85,3 milhões de hectares, a produtividade média nacional é estimada em 4.296 quilos por hectare, abaixo dos 4.335 kg/ha registrados em 2025/26.
O clima está entre as variáveis que podem interferir nesse resultado. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) informa que há mais de 90% de probabilidade de haver um El Niño muito forte entre setembro, outubro e novembro. Os efeitos devem variar pelo país. A Região Sul, parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul têm previsão de chuva acima da média, enquanto áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste podem enfrentar volumes abaixo do normal. As temperaturas tendem a ficar acima da média em praticamente todo o território nacional.
Para Renan Coelho, diretor comercial da Katrium Indústrias Químicas, as oscilações climáticas tornam a eficiência dos insumos ainda mais relevante para o produtor. "O clima não está sob o controle do agricultor, mas a forma como ele prepara a lavoura para enfrentar condições adversas, sim. Em cenários de estresse hídrico e térmico, tecnologias que favoreçam o aproveitamento eficiente dos nutrientes ganham ainda mais importância", afirma.
Entre as aplicações que vêm ganhando espaço estão fertilizantes foliares potássicos de alta eficiência e produtos voltados a situações de estresse hídrico e térmico, com potássio de rápida absorção. "O desafio é produzir com eficiência mesmo quando as condições deixam de ser as ideais. É aí que tecnologia, qualidade dos insumos e manejo precisam trabalhar juntos", acrescenta Coelho.
Segundo o executivo, o potássio participa de processos importantes para o desenvolvimento vegetal e pode chegar às lavouras por diferentes formulações. No portfólio da Katrium, o carbonato de potássio (K₂CO₃) é utilizado como fonte de potássio de alta pureza em fertilizantes foliares e como agente tamponante e estabilizante em formulações sensíveis. Entre as aplicações atendidas estão culturas como café, citros e hortifrúti. Coelho identifica ainda potencial de crescimento em fertilizantes foliares potássicos de alta eficiência e em formulações que associam componentes biológicos e químicos.
O desafio climático ganha relevância justamente no período de implantação da safra de verão. A própria Conab ressalta que, no caso da soja, os riscos climáticos associados ao novo ciclo estão entre os fatores considerados na expectativa de ligeira redução da produtividade média. A área destinada à oleaginosa deve crescer 1,4%, para 49,3 milhões de hectares, mas esse será o menor avanço percentual dos últimos 20 anos. Ainda assim, a produção é projetada em 181,64 milhões de toneladas. No milho, a Companhia estima cerca de 148 milhões de toneladas no ciclo 2026/27 e ressalta que o potencial produtivo dependerá das condições climáticas durante o desenvolvimento da cultura. Os dados foram divulgados pela Conab em 15 de setembro.
A irregularidade das chuvas também exige atenção porque o El Niño não representa o mesmo risco em todas as regiões produtoras. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que áreas do Brasil Central podem enfrentar estiagem mais prolongada e atraso no início da estação chuvosa. No Sul, em contrapartida, volumes elevados aumentam a exposição a episódios de chuva intensa. Por isso, a intensidade do El Niño não significa automaticamente maior impacto sobre todas as lavouras, e o comportamento regional do clima precisa ser acompanhado ao longo do ciclo.
Além do carbonato de potássio, a Katrium produz hidróxido de potássio (KOH), empregado no agronegócio na formulação de glifosato sal potássico e no ajuste de pH e tamponamento de fertilizantes foliares e caldas. Para Coelho, a resposta da indústria às novas condições do campo passa também pela regularidade das especificações dos insumos, pela rastreabilidade e pela capacidade de desenvolver aplicações adequadas às necessidades das diferentes culturas. "O agro não compra só insumo, compra segurança operacional."
A incerteza não termina em novembro. Os modelos climáticos acompanhados pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) indicam manutenção das condições de El Niño pelo menos até o primeiro trimestre de 2027. Com uma safra que pode crescer em volume ao mesmo tempo que enfrenta pressão sobre a produtividade média, clima, tecnologia e eficiência no uso dos insumos tendem a permanecer no centro das decisões do agronegócio nos próximos meses.