
Um levantamento do Instituto Sou da Paz, com base em dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, revelou um crescimento alarmante no número de feminicídios na Baixada Santista e no Vale do Ribeira. De janeiro a outubro de 2025, foram registrados dez casos, representando um aumento de 150% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando houve quatro ocorrências.
Os dados se referem aos municípios atendidos pelo Departamento de Polícia Judiciária do Interior 6 (Deinter 6). Praia Grande lidera com três feminicídios, seguida por Santos e Itanhaém, com dois cada. Cananeia, Mongaguá e Peruíbe registraram um caso cada.
A maioria dos crimes (seis) ocorreu em residências ou arredores, evidenciando que o lar continua sendo um dos ambientes mais perigosos para mulheres em situação de vulnerabilidade. Três crimes ocorreram em vias públicas. Em 40% dos casos, os autores usaram armas de fogo.
O perfil das vítimas mostra que a faixa etária mais atingida está entre 40 e 49 anos (30%). Mulheres entre 20 e 29 anos e entre 50 e 59 anos correspondem a 20% dos casos cada.
Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz, destacou que o feminicídio costuma ser o estágio final de um ciclo de violência que inclui agressões verbais, físicas e patrimoniais. Ele também apontou a necessidade de investigar a origem das armas utilizadas, incluindo possível vínculo com CACs ou forças de segurança.