
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) identificou traços do isótopo radioativo Césio-137 (Cs-137) em sedimentos da planície fluvial do rio Ribeira de Iguape, no interior paulista. O elemento, proveniente de testes nucleares entre as décadas de 1950 e 1970, é apontado como um marcador da possível nova época geológica da Terra: o Antropoceno.
Segundo o geógrafo e autor da pesquisa, Breno Schimidtke Rodrigues, o ponto de maior concentração do elemento foi identificado em uma amostra datada de 1963, ano que marcou o auge da chamada “chuva radioativa” causada por testes nucleares durante a Guerra Fria — fenômeno conhecido como máximo Fallout.
Essas partículas lançadas na atmosfera viajaram por correntes de ar e se depositaram em solos e bacias hidrográficas, tornando-se registros temporais. “Os traços de césio funcionam como um ‘carimbo geológico’ que evidencia o momento em que a humanidade começou a impactar profundamente os sistemas naturais”, afirma Rodrigues.
Apesar da presença do Cs-137, o geógrafo tranquiliza a população: os níveis encontrados são baixos, não representam risco à saúde pública e têm apenas relevância científica e ambiental. O estudo contribui para o debate global sobre o início do Antropoceno e os impactos humanos no planeta.