Mobilidade Mobilidade
Expansão do IoT no Brasil exige mais força tecnológica
Ao abrir consulta pública sobre a regulação do setor de internet das coisas, a Anatel evidencia o avanço acelerado de dispositivos conectados no país. Para André Luiz Ota, CEO da Ikonn, o cenário acentua a necessidade de infraestruturas de dados c...
22/09/2026 14h46
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, em junho, uma consulta pública para reavaliar a regulação do mercado de internet das coisas (IoT) e das comunicações máquina a máquina (M2M) no Brasil. O órgão aponta que o país já soma cerca de 30 milhões de acessos vinculados a essas tecnologias, o equivalente a 11% de todas as conexões móveis em operação atualmente. O levantamento evidencia a velocidade com que sensores, veículos e equipamentos vêm se conectando a redes de telecomunicações para fins de monitoramento remoto.

O crescimento já era percebido no fechamento de 2024, quando dados da Anatel mostraram alta de 9,9% nos acessos de IoT no país, que passaram de 43 milhões para 47,3 milhões em um único ano. Foram justamente os chips voltados a dispositivos machine to machine, entre eles equipamentos usados no rastreamento de veículos e frotas, os responsáveis por puxar a expansão total do mercado móvel brasileiro no período.

Continua após a publicidade

Esse movimento coloca pressão direta sobre as centrais de rastreamento e monitoramento de ativos, responsáveis por processar, em tempo real, o volume crescente de dados gerados por veículos, cargas e equipamentos conectados. De acordo com André Luiz Ota, CEO da Ikonn, empresa de engenharia de sistemas voltada a esse segmento, o setor atravessa uma espécie de seleção natural, na qual plataformas frágeis perdem espaço para arquiteturas preparadas para operar em larga escala.

Continua após a publicidade

"O mercado está passando por um expurgo natural. Por muito tempo, vender rastreamento era apenas colocar um chip em um módulo básico e rezar para o software não travar", analisa. Para o executivo, atualmente quem tenta dominar o mercado usando sistemas legados ou plataformas de prateleira genéricas está sendo engolido pela concorrência.

Continua após a publicidade

"As centrais que estão liderando essa nova fase abandonaram a mentalidade de ‘comprar software barato’ e passaram a investir em ecossistemas baseados em alta disponibilidade, em que a plataforma absorve o estresse do crescimento massivo sem que o cliente final perceba qualquer oscilação", completa.

Pilares para sustentar o crescimento

Na avaliação de Ota, o fator determinante para uma central se preparar para escalar é a aplicação efetiva da engenharia de sistemas. Segundo ele, escalar não significa apenas adicionar servidores, mas contar com uma arquitetura de dados projetada para suportar o IoT massivo desde a concepção do sistema.

"Há três pilares como inegociáveis: robustez de banco de dados, capaz de processar bilhões de coordenadas e extrair informações de redes CAN-bus em milissegundos; automação operacional, com motores de regras que decidem e alertam de forma autônoma, reduzindo o custo com operação humana; e integração entre o software usado no escritório e a ferramenta utilizada pelo técnico em campo, unificando a fonte de informações da operação", elenca o executivo.

A ponta de operação também é identificada pelo CEO da Ikonn como decisiva para o resultado final. Conforme explica, falhas na instalação física ou na configuração de hardware comprometem toda a cadeia de dados que abastece a central. "Por isso, tecnologias que permitem ao técnico realizar um autoteste de instalação, validando sinal de GPS, GPRS, bloqueios e sensores periféricos antes de concluir o serviço, eliminam retrabalho e ampliam a velocidade de ativação de novos veículos monitorados", assinala.

Tendências para o futuro

Para os próximos anos, Ota projeta a consolidação de centrais que mantenham controle próprio sobre a operação de ponta a ponta, em contraposição às que ainda dependem de soluções terceirizadas e engessadas. Do ponto de vista tecnológico, ele avalia que o cruzamento do 5G com hardwares mais avançados, como o padrão internacional de vídeo telemetria JT/T 808, deve exigir processamento de inteligência artificial na borda da rede, prática conhecida como edge computing.

"Não estaremos mais rastreando posições, estaremos ingerindo fluxos de vídeo com IA preditiva e biometria do motorista em tempo real", afirma. Para ele, empresas sem uma engenharia de sistemas preparada para essa avalanche de dados complexos tendem a perder espaço no mercado nos próximos anos.

O movimento identificado por Ota dialoga diretamente com o cenário indicado pela Anatel: o crescimento acelerado de dispositivos conectados amplia a quantidade de dados que trafegam nas redes de telecomunicações e exige das centrais de rastreamento uma base tecnológica capaz de sustentar essa expansão sem comprometer a estabilidade do serviço prestado.

"A discussão regulatória em curso e os indicadores de mercado confirmam que a infraestrutura tecnológica se tornou fator central para a competitividade do setor nos próximos anos", completa o executivo.

Para mais informações, basta acessar: https://www.ikonn.com.br