A jovem promessa do atletismo paralímpico brasileiro, Maria Clara Araújo, de 15 anos, brilhou no cenário internacional ao conquistar a medalha de ouro e estabelecer um novo recorde das Américas nos 100 metros da classe T35 (paralisia cerebral), nesta quinta-feira (23), na abertura do Grand Prix de Atletismo de Rabat, no Marrocos.
Representando o Brasil e o Time São Paulo Paralímpico, Maria Clara completou a prova em 14s61, superando a marca anterior de 15s78, pertencente à norte-americana Brianna Salinaro, registrada em julho de 2024. A disputa ainda contou com atletas da classe T36, reforçando o alto nível técnico da competição. A medalha de prata ficou com a também paulista Verônica Hipólito (15s03), enquanto o bronze foi conquistado pela egípcia Rozabell Rozell Parinus (15s32).
“Estou muito feliz por este começo. Gostei muito da minha corrida. Mesmo com dor, consegui me manter. É uma inspiração muito grande estar aqui, correndo ao lado da Verônica”, destacou a atleta.
Para o secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Marcos da Costa, o resultado evidencia a força do esporte paralímpico paulista e o impacto das políticas públicas de inclusão. “Maria Clara representa o talento, a determinação e o potencial da juventude paulista. Sua conquista é motivo de orgulho para todo o Estado e prova o acerto no modelo que adotamos de valorizar também o jovem atleta, pensando no futuro do Time São Paulo e do paradesporto do Brasil”, afirmou.
O Time São Paulo Paralímpico é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo, coordenada pela Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que oferece suporte técnico, estrutura de treinamento, acompanhamento multidisciplinar e incentivo financeiro a atletas com deficiência.
O programa tem como objetivo fomentar o alto rendimento, ampliar oportunidades e fortalecer a representatividade do estado em competições nacionais e internacionais. Atualmente o suporte de R$ 8,2 milhões abrange 157 atletas.
Maria Clara iniciou sua trajetória esportiva de forma despretensiosa, jogando futebol com meninos e meninas sem deficiência. Foi observada pelo atleta paralímpico Fábio Bordignon, da classe T35, que a incentivou a ingressar no esporte paralímpico. A partir daí, passou a integrar a Escola Paralímpica de Esportes, projeto de iniciação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), onde teve o primeiro contato com o atletismo. Atualmente, segue em treinamento no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo.
A trajetória da jovem atleta também é marcada por superação fora das pistas. Em 2025, convocada para representar o Brasil no Parapan de Jovens, no Chile, Maria Clara quase ficou de fora da competição por questões documentais. Com apoio jurídico da Defensoria Pública, conseguiu regularizar a situação a tempo de viajar. O resultado foi mais um capítulo de destaque em sua carreira: duas medalhas de ouro, nos 100m e 200m da classe T35.
O desempenho de Maria Clara Araújo reforça a importância de políticas públicas voltadas à inclusão e ao desenvolvimento do esporte paralímpico, além de evidenciar o potencial dos jovens atletas apoiados pelo Governo do Estado de São Paulo.
Além da medalha de ouro de Maria Clara, os atletas do Time São Paulo ganharam outras 13 medalhas no primeiro dia do Grand Prix de atletismo de Rabat. Foram ao todo nove de ouro, três de prata e duas de bronze. A competição termina neste sábado (25).