O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) iniciou o julgamento do pedido de soltura do empresário Wellington Augusto Mazini Silva, preso após se passar por médico em uma unidade de saúde de Cananéia, no Vale do Ribeira.
Segundo as investigações, Mazini utilizou o número de registro profissional (CRM) do médico Enrico Di Vaio, que era seu sócio em uma clínica em São Paulo, para realizar atendimentos em uma Unidade Básica de Saúde no centro da cidade.
A fraude teria sido descoberta após o suspeito afirmar ter identificado a vesícula de uma paciente que não possui o órgão.
O empresário foi preso no início de fevereiro pelo crime de exercício ilegal da medicina. A defesa solicitou a revogação da prisão preventiva e pediu que o caso fosse analisado por um colegiado de desembargadores após a negativa inicial de um habeas corpus.
Segundo o advogado de defesa, Mazini é réu primário, não possui antecedentes criminais e já teria confessado os atendimentos realizados. A defesa argumenta que medidas cautelares poderiam substituir a prisão preventiva.
O pedido está sendo analisado por três desembargadores em sessão virtual, e a decisão deverá ser publicada em até seis dias úteis após o início do julgamento.
Além do processo criminal, cinco mulheres que foram atendidas pelo falso médico ingressaram na Justiça com pedidos de indenização por danos morais. Elas alegam terem sido submetidas a exames médicos sob falsa identidade profissional.
O Ministério Público denunciou o empresário por crimes como estelionato, exercício ilegal da medicina, falsidade material e perigo para a vida ou saúde de terceiros. Somadas, as penas podem chegar a 13 anos de prisão.