Vale do Ribeira MEIO AMBIENTE
AVANÇO DA EROSÃO PODE FORMAR NOVA ILHA EM CANANÉIA
Estudos indicam que rompimento natural no Estreito do Melão pode isolar parte da Ilha do Cardoso nos próximos anos
17/02/2026 13h12 Atualizada há 3 meses
Por: Redação

Uma nova ilha pode surgir no litoral sul de São Paulo, na região de Cananéia, em decorrência do avanço acelerado da erosão no Estreito do Melão. O processo está afinando a restinga — faixa de areia que separa o oceano do Canal do Ararapira — e pode provocar o rompimento natural dessa barreira nos próximos anos.

Na prática, a nova ilha não surgirá do mar, mas do isolamento de uma área que atualmente integra a Ilha do Cardoso. A porção ao sul do estreito, com cerca de seis quilômetros de extensão, pode ficar totalmente cercada por água caso a abertura de uma nova barra oceânica se confirme — cenário projetado por estudos para o período entre 2032 e 2034.

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Processo natural e dinâmica costeira

A erosão ocorre devido à dinâmica das correntes marítimas e das marés do estuário, que desgastam continuamente a base da restinga e promovem o deslocamento de sedimentos ao longo do tempo. Em determinados trechos, a faixa arenosa já reduziu de aproximadamente 100 metros para cerca de 20 metros de largura, tornando o local altamente vulnerável a rompimentos.

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Fenômeno semelhante ocorreu em 2018, na Enseada da Baleia, também na Ilha do Cardoso, quando uma forte ressaca abriu um novo canal de ligação com o oceano. A alteração modificou o equilíbrio das correntes na região e acelerou o processo erosivo em áreas próximas.

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Com uma eventual abertura no Estreito do Melão, o oceano passaria a se conectar diretamente ao Canal do Ararapira, isolando a porção sul da Ilha do Cardoso e formando uma nova ilha na divisa entre São Paulo e Paraná.

Impactos ambientais e sociais

A possível mudança poderá alterar o regime de correntes, a profundidade de canais e rotas de navegação, além de impactar ecossistemas sensíveis como manguezais e comunidades caiçaras próximas, entre elas Vila Mendonça e Nova Enseada da Baleia.

Especialistas destacam que a transformação integra a dinâmica natural do litoral, embora possa ser intensificada por eventos climáticos extremos e pela elevação do nível do mar.

Diante do cenário, o Ministério Público do Estado de São Paulo cobra do governo estadual a elaboração de um plano de contingência para a área, que integra o complexo estuarino-lagunar conhecido como Lagamar, considerado de alta relevância ambiental.