A possível abertura do mercado brasileiro para a importação de banana equatoriana, em troca da exportação de carne suína nacional ao Equador, preocupa os produtores do Vale do Ribeira, maior polo bananicultor do país. O tema foi discutido em reunião oficial entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente equatoriano Daniel Noboa, em Brasília.
O receio se deve ao fato de que, até hoje, o Brasil nunca autorizou a entrada de banana estrangeira — um marco inédito na balança comercial brasileira. A maior preocupação atual é com a possível entrada no país da raça 4 do fungo Fusarium, para a qual não existem variedades resistentes nem formas de controle efetivas. Essa doença ainda não chegou ao Brasil, mas já foi detectada na Colômbia e no Peru, o que aumenta o risco fitossanitário de uma abertura de mercado para a banana equatoriana.
A banana é a fruta fresca mais consumida no mundo. O Brasil, além de ser o maior consumidor global, ocupa a posição de quarto maior produtor, com 6,6 milhões de toneladas anuais cultivadas em 455 mil hectares, sendo metade da produção proveniente da agricultura familiar. O setor movimenta cerca de R\$ 13,8 bilhões por ano e gera aproximadamente 500 mil empregos diretos, exercendo papel social fundamental graças ao seu preço acessível.
A importância socioeconômica da bananicultura torna essencial a manutenção da sustentabilidade produtiva. No entanto, a atividade já enfrenta sérios desafios relacionados a doenças como sigatoka amarela, sigatoka negra e a murcha de Fusarium, que reduzem a produção e elevam os custos de controle.
Fonte: Portal da Cidade Registro