Vale do Ribeira CANANÉIA
Fraude à cota de gênero leva à cassação do Podemos em Cananéia
Decisão da Justiça Eleitoral aponta candidatura fictícia e determina nulidade dos votos, recontagem eleitoral e inelegibilidade dos envolvidos.
19/02/2025 16h05 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Fonte: Camilo Valedoribeira.com
Em uma decisão histórica, a 36ª Zona Eleitoral de Cananéia/SP determinou a cassação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP) do partido Podemos, após a constatação de fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2024. 
 
A ação, movida pelo Ministério Público Eleitoral, revelou o uso de candidatura fictícia para cumprir o percentual mínimo de 30% de mulheres no pleito, conforme determina a legislação eleitoral.
 
De acordo com a sentença, a candidata Suelen Cristina Paula foi registrada sem intenção real de concorrer, apenas para que o partido atingisse a cota de gênero. 
 
A investigação apontou que Suelen obteve apenas três votos, não realizou atos efetivos de campanha e teve uma prestação de contas padronizada, elementos que, segundo a Súmula 73 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), caracterizam a fraude.
 
A ação também revelou a participação direta de André Nogueira Sanches, então candidato a prefeito e líder político da coligação, na cooptação de Suelen para a candidatura fictícia. 
 
Depoimentos colhidos indicaram que Sanches, mesmo sem cargo formal no Podemos, teve ingerência decisiva na formação da chapa e no financiamento da campanha, inclusive com o pagamento do cabo eleitoral de Suelen sendo realizado por um candidato de outro partido da coligação.
 
A decisão da Justiça Eleitoral determina a cassação do DRAP do Podemos, a nulidade dos votos obtidos pelo partido, a recontagem dos quocientes eleitoral e partidário, e a inelegibilidade de todos os envolvidos diretamente na fraude. 
 
O juiz destacou que, em uma cidade pequena como Cananéia, é inconcebível que os demais candidatos do partido não soubessem da candidatura fictícia, reforçando a tese de conivência.
 
O Ministério Público Eleitoral celebrou a decisão como uma vitória da democracia e da participação feminina no processo eleitoral, alertando que a prática de candidaturas "laranjas" é um ataque direto à igualdade de gênero e à lisura das eleições.
 
O Podemos ainda pode recorrer da decisão, mas o caso já se torna um marco na luta contra fraudes eleitorais, servindo de alerta para partidos em todo o país.
 
A redação do Portal Ribeira segue acompanhando o caso e trará novas atualizações.
 
Fonte e foto : Portal Ribeira